Why People Resist New Technologies. Este livro publicado em 2016 pelo Professor e Cientista Queniano Calestous Juma, com base na análise de diversas lições da história, propõe desmistificar as causas do “medo do novo”, da oposição à mudança, ou, nas palavras do autor “da resistência às novas tecnologias”. Diversos grupos sociais têm exercido e exercem as ditas resistências, individualmente ou em corporações, em organizações públicas e/ou privadas, quase sempre apenas voltados aos seus exclusivos interesses. Segundo o Prof. Juma dita resistência não é um fenômeno novo ou irracional, mas sim uma força previsível e recorrente na sociedade. “Não é sobre o novo, mas sobre o medo da perda”, afirma. Inovação gera incerteza, e a mente humana, ao lidar com a incerteza, tende a dar mais peso às perdas potenciais do que aos ganhos potenciais.
O Livro inicia-se com a seguinte afirmação: “The quickest way to find out who your enemies are is to try doing something new” (“A maneira mais rápida de descobrir quem são seus inimigos é tentar fazer algo novo”).
Os principais desafios globais para serem superados demandam sequências ininterruptas de inovações e transformações sociais coligadas. Os relatos e observações citados pelo Prof. Juma atravessam mais de 600 anos da história humana. Os exemplos são diversos e abrangentes: Café, imprenta tipográfica, automóveis, tratores e mecanização da agricultura, margarina, eletricidade, cultivos transgênicos, fazendas de salmão, etc. Estes casos de estudo servem de base para também analisar os contemporâneos debates em torno de tecnologias inovadoras tais como: a inteligência artificial, o ensino online, a impressão 3D, a robótica, os drones, as energias renováveis ou a edição genética e a clonagem. A resistência à inovação não é exceção, mas a regra.
Segundo o autor, a oposição à mudança tem origem em três fatores principais:
O impacto econômico – as inovações alteram as cadeias de valor. Grupos ou indivíduos que se beneficiam do status quo tendem a se organizar contra as mudanças que podem reduzir seus lucros ou empregos. Foi assim, por exemplo, com os fabricantes de velas diante da chegada da inovação da eletricidade.
As questões culturais – Produtos novos mexem com hábitos, crenças e tradições. O café, por exemplo, enfrentou séculos de oposição por ser visto como ameaça à ordem social e religiosa.
O medo aos riscos desconhecidos – A falta de informação clara sobre as consequências de longo prazo gera desconfiança. Por exemplo, biotecnologias, clonagem e/ou nanotecnologias ainda sofrem com essa barreira.
Em contexto, o autor aponta um paradoxo gerado pela inovação: “quanto mais promissora a tecnologia, maior o potencial de resistência”. Isso acontece porque os impactos positivos tendem a ser difusos e de longo prazo, enquanto os custos ou ameaças recaem de forma imediata sobre grupos bem identificáveis. Em outras palavras, quem perde sabe exatamente o que perdeu; quem ganha, muitas vezes nem percebe ou só colhe os frutos anos depois. Esse descompasso cria terreno fértil para os debates polarizados.
Resistência à inovação não é sinal de fracasso, mas parte natural do processo. Para combater a estagnação de uma nova ideia ou produto, a história mostra que o sucesso depende da capacidade do líder de demonstrar com provas concretas, que os ganhos da mudança superam de longe, o conforto ilusório da continuidade. Assim, o segredo é antecipar a batalha e tratá-la de forma estruturada, em vez de assumir que “o mercado aceitará a inovação naturalmente”. Inovar não é apenas criar algo novo, não é apenas uma corrida tecnológica ou de desenvolvimento de produto, é principalmente orquestrar a aceitação desse “novo” no ecossistema em que sua empresa opera.
O Prof. Juma faleceu em 2017 aos 64 anos. Este foi o seu último livro.
Boa leitura!
“Every great movement must experience three stages: Ridicule, discussion, adoption” - John Stuart Mill ( 1806 - 1873 )
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